Sendo eu uma criança no corpo de um urso — perdão — robusto adulto, há duas actividade que não me importo nada de partilhar com o meu filho. Brincar e ver desenhos animados. Se a brincadeira incluir legos, então, eu sou capaz de me perder. Se os desenhos animados forem dos menos pueris, também é possível que o meu filho tenha companhia na gargalhada — só que eu entendo mais piadas que ele, ora toma!...
O problema é que o rapaz está a gostar demasiado dos bonecos do ecrã, assim como dos aparelhos de ecrã. Se o deixar, já fica mais de uma hora de ecrã na mão. Para o evitar, além do impedimento físico, tento distraí-lo do seu desejo pelo telefone ou tablete brincando eu com os legos à frente dele. É um sacrifício enorme.
Por acaso até é: imaginem o que é construir uns quatro veículos diferentes, como fiz hoje, com peças Duplo (quem percebe de legos sabe que a variedade das peças é menor, pelo que exige mais da imaginação), enquanto o petiz permanece colado aos Super Wings (não são dos que me atraem). E continua a ignorar as minhas obras e arte até a mãe chegar do trabalho, altura em que, depois do beijinho à mãe, descobre (finalmente!) os coloridos bólides — e uma nave espacial — e, em vez de brincar com eles, resolve testar a resistência das construções.
Heidelberg, a cidade onde nos encontramos, não foi bombardeada durante a Segunda Grande Guerra. Hoje, na sala do pequeno apartamento onde nos confinamos, em vez de bombas choveram carros e uma nave espacial. Ele sentiu a necessidade de os atirar mais do que uma vez ao chão, já que as minhas obras são sólidas, espalhando peças por todo o lado. Abandonei a sala, deixando o bombardeiro com a mãe, sentindo cada aguçada pancada de legos no chão como se de um soco no estômago se tratasse...
Ainda bem que aquele jipe de lego adulto (a partir dos 7 são adultos, sim!) que lhe ofereceram no Natal foi... guardado para quando ele for mais velho, totalmente montado, na estante dos meus livros. Tudo pelo meu filho.
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