quinta-feira, 4 de julho de 2019

"Ai, que giro! Já anda"

Eu comecei a andar com 16 meses. Coincidiu com a altura em que a minha irmã nasceu, vá-se lá saber porquê — coincidências.
A caminho do seu 16º mês, o meu filho punha-se em pé, numa postura muito direita, equilibrada e segura, dava um hesitante passo ou dois, e deixava-se cair no chão. Do meu ponto de vista, não andava. E não andava porque não queria. A chegar aos tais 16 meses, resolveu começar a arriscar mais passos. Ao terceiro dia correu na minha direcção — só não foi de cara ao chão porque eu o apanhei. Vai já na terceira semana a andar.
Em contra-senso com título deste texto, não acho nada giro. Sou eu quem fica sozinho em casa com o petiz, agora capaz de chegar onde não chegava, trepar o que não trepava, além de não parar quieto numa divisão da casa, quanto mais num lugar. E muito mais rápido, com coisas nas mãos, cheio de vontade de fazer tudo o que vê fazer. Na creche acham-lhe piada muita piada — equipas de educadores. Em casa, depois de chegar a minha cara-metade (mas só depois de), somos dois a correr atrás. Não imaginam a diversão... Veias a saltar na testa e sentir o coração bater no pescoço é sinal de diversão, não é?
(Vá, estou a exagerar, mas apenas na descrição das veias ondulantes e as carótidas pulsantes.)
Entre o regresso da creche e a chegada da mãe, estou sozinho. É outro nível. É divertido e dá dores de cabeça. É enternecedor e exaspera. Eu explico: brinca mais e melhor, mostra mais habilidades (exibe-se e ri-se muito) e traz abraços a rodos; ao mesmo tempo trepa, estica-se, mexe em tudo, atira-se e aumenta a pressão na minha caixa craniana.
É giro, é... Se ao menos ele mudasse a própria fralda...!