Foi já há duas semanas e meia que o meu filho foi autorizado a voltar à creche. Desde o início que nós, pai e mãe, esperamos que ele traga para casa qualquer coisa extra. Bactérias ou vírus, é sempre de esperar que, quando se reunem crianças em bandos, se espalhem mais ou menos amiúde e com alguma eficácia. Nesse caso, porque vivemos em tempos de medo generalizado, antecipávamos procedimentos e burocracias várias para levar a criança de volta para a creche. Mas a certeza de que ia acontecer estava lá, e a desconfiança era de que fosse quase de imediato. O que tem de ser...
A primeira semana passou com o nosso filho tão saudável como nos meses em que ficou confinado a casa, aos passeios com os pais, e a uma ocasional visita ao parque infantil. Nem um pingo de ranhoca. A segunda semana acabou da mesma forma: nada de infecção ou virose, nem um toque de febre para amostra. Estávamos com sorte.
No Domingo antes de começar esta terceira semana de regresso à creche, passou a manhã bem-disposto, mas a jorrar ranho pelo nariz. Pronto, já tem um toque, pensamos nós. Depois de uma hora do almoço em que, para não variar, comeu de pouco a nada (diz que é normal, algures no segundo ano de vida, mas é um estímulo ao desenvolvimento de úlceras nos pais), parecia um pouco cabisbaixo. Ao tirá-lo da cadeira, a mãe apercebeu-se de que estava quente. Era altura de muda de fralda (espero não ter de o fazer dentro de um mês ou dois...), por isso seria uma boa oportunidade para lhe medir a temperatura. Febre.
A primeira semana passou com o nosso filho tão saudável como nos meses em que ficou confinado a casa, aos passeios com os pais, e a uma ocasional visita ao parque infantil. Nem um pingo de ranhoca. A segunda semana acabou da mesma forma: nada de infecção ou virose, nem um toque de febre para amostra. Estávamos com sorte.
No Domingo antes de começar esta terceira semana de regresso à creche, passou a manhã bem-disposto, mas a jorrar ranho pelo nariz. Pronto, já tem um toque, pensamos nós. Depois de uma hora do almoço em que, para não variar, comeu de pouco a nada (diz que é normal, algures no segundo ano de vida, mas é um estímulo ao desenvolvimento de úlceras nos pais), parecia um pouco cabisbaixo. Ao tirá-lo da cadeira, a mãe apercebeu-se de que estava quente. Era altura de muda de fralda (espero não ter de o fazer dentro de um mês ou dois...), por isso seria uma boa oportunidade para lhe medir a temperatura. Febre.
Passou a tarde assim, com uma febre alta, mas não exagerada. A noite, filho entupido de anti-piréticos, foi um carrossel de deita-levanta, tira temperatura aqui, muda fralda acolá, tosse cavernosa e respiração dificultada, a espaços dolorosa. Calhou-me medir-lhe uma febre de quase 40º, já depois das 4 da manhã. Por momentos considerei levá-lo para o hospital, mas decidi-me por um novo supositório e voltar para a cama. Dormir é que já foi pouco e leve, para ambos os pais. Ouvi-lo gemer não ajuda nada à conversa com Morfeu.
Segunda-feira de manhã, eu com receio que fosse o mefistofélico vírus, a minha mulher com a calma de quem tem de aturar um filho doente e um marido nervoso, fomos directos à pediatra do petiz. Esperamos cá fora, numa espécie de sala-de-espera naturalmente arejada e desinfectada a raios ultra-violeta directos do Sol, máscaras penduradas no nariz e orelhas. Éramos os quintos da fila — da exterior, para as crianças cujos sintomas coincidem com os da doença-que-não-se-pode-mencionar. Antes de sermos chamados, chegaram mais três, se bem me lembro.
Feito o exame rápido — pulmões limpos e uma ligeira vermelhidão na garganta —, a médica pede-nos autorização para lhe enfiar uma zaragatoa pelo nariz acima, outra no fundo da língua. Acedemos, mas doeu-nos ter de agarrar no nosso filho, forçando-o àquela tortura que ele, claramente, não queria. Esperneava e eu impedia-o de o fazer, prendendo-o. Senti que o traía. A mãe dava-lhe beijos no cocuruto, com ar consternado. O que tem de ser...
Nesse dia a febre foi sempre no limite mais baixo, o que me deixou mais descansado — agora era a minha mulher a mais nervosa dos dois. Eu previa a melhoria, ela desconfiava (ainda bem que não coincidimos nos momentos pessimistas). Ainda por cima, não tendo a certificação documental de que não era o vírus do Capeta, ela foi forçada a trabalhar em casa. Eu fiquei no meu escritório mais comum (em casa), mas o serviço foi cuidar do petiz.
Na manhã seguinte, papel de resultado negativo na mão, a minha mulher já pôde voltar ao laboratório. Eu... mais dois dias com o filho em casa: a nova política do infantário é que a criança fique em casa por 48 horas depois a última medição de febre. Amanhã, se o rapaz não tiver febre entretanto, volta para os amiguinhos. O que tem de ser...