sexta-feira, 26 de abril de 2019

Febre nervosa...

Há já algum tempo que não escrevia cá nada. Este intervalo deveu-se a obrigações para com o petiz, que andou com febres altas durante demasiado tempo — para o meu gosto.
Num dia foi para a cama com uma febre ligeira, no dia seguinte não foi para a creche porque a febre não tinha baixado. Como não tenho que sair de casa para trabalhar, fiquei com ele. Nada de médicos — estamos num país em que ir ao Hospital, ou mesmo ao consultório do pediatra, antes do terceiro dia de febre, prostração e dificuldades em fazer comer a criança, é coisa de pessoas mal-formadas. É de evitar.
Nesse mesmo dia, mais à tarde, confirmei que o meu filho não sai ao pai no que à febre diz respeito. Eu, passando dos 37,5ºC de febre, estou às portas da morte. Fico de cama — ou sofá — a pensar em epitáfios, indeciso entre pedir doses cavalares de mimo ou eutanásia. Raramente passei dos 38, e nunca passei dos 39 (deduzo que me teria finado, por via de combustão espontânea). O meu filho estava na casa do 39, a roçar os 40, a brincar na mesma. Pronto... estaria um pouco mais rabugento mas, definitivamente, não prostrado. Andou como gosta — com pouca roupa.
Ao quarto dia de febres que chegaram perto dos 41ºC, a não ser que o apanhássemos com vontade de colaborar com a toma de paracetamol. Era domingo, pelo que não dava para ir à pediatra. Ao princípio da tarde, mais um pico de febre com momentos de prostração (só acima dos 40), e eu e a mãe lá nos pusemos a caminho do Hospital pediátrico, empurrando o enfermo no carrinho. 20 minutos a pé, mais ou menos, que dispuseram melhor o meu filho, pelo que fui olhado de lado pela médica quando ele vê um bebé com ar pouco doente à sua frente. Verificados os parâmetros suspeitos, lá nos deu razão: a criança estava de ouvidos e garganta inflamados, apesar de nada ter nos pulmões (ufa!). Com uma receita para xarope para a tosse outra para ibuprofeno, lá voltamos a casa.
Mais dois dias de febres mantidas baixas a medicação, nudez e/ou panos ensopados em água tépida, e não nos foi condenada a ida à pediatra. Estava tudo bem com os pulmões, mas as inflamações resistiam estoicamente, e fomos recambiados para casa com uma receita para um antibiótico.
Na segunda-feira seguinte, semana e meia depois do alarme, voltou à creche. Uma alegria só — das educadoras e de uma menina espanhola de 3 anos, que por alguma razão adora o meu filho. Para ele, foi um alívio face à seca que é estar em casa com o pai. Os fins-de-tarde com a mãe são diários e costumeiros — e menos chatos.
No dia seguinte, de novo no consultório da pediatra. Tinha uma vacina marcada há já um mês. Segundo a senhora, não fazia mal que ele tivesse acabado o antibiótico apenas no dia anterior. Lá fez a vacina e foi para a creche, apenas uma hora depois da hora marcada (tudo devidamente avisado, senão ainda podia ter a polícia à minha procura, para saber se estava tudo bem). Nessa noite, já em casa... 39ºC de febre.
Só foi para a creche hoje.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Caos organizado — dizem

É um rapaz. Ainda não fala mas dá ordens. Não anda mas gatinha rápido demais. É um chato mas encanta com o seu sorriso de malandro. Brinca com tudo e deixa tudo desarrumado, mas... mas nada. Não arruma nada, como seria de esperar pela frescura da sua idade.
Tenho a sala quase sempre pontilhada de brinquedos, peças de brinquedos, livros e peluches. De vez em quando, quando o cansaço e a paciência permitem, eu ou a mãe arrumamos os brinquedos todos, à pazada, para dentro do cesto/mesa-de-centro-com-arrumação. É quase sempre sol de pouca dura, já que, mal o petiz descobre que pouco tem à disposição — o pai não deixa mexer no telemóvel, no tablet ou no computador (que chato!!), e a mãe já se fartou de o deixar mexer no telefone-esperto ou de lhe tirar a mão do candeeiro de sala, cuja estabilidade ele adora testar —, agarra-se à tal mesa-que-tudo-guarda e chora e sacode e levanta até não poder mais. Qualquer dia consegue virá-la... Vai ser bonito.
Lá saem três ou quatro brinquedos, numa tentativa de limitar a desarrumação e manter o herdeiro feliz. Mas o que ele queria é precisamente um dos brinquedos que ficou dentro do cesto. Então o pai faz uma troca: aquele brinquedo sai, aquele a que ele menos atenção prestou volta lá para dentro. Mas depois, afinal, ele queria aquele que eu arrumei. Abro o tampo da mesa e ele agarra-se à borda, e aponta para todos os brinquedos que eu não tenho na mão para lhe dar. Já cheguei a pô-lo dentro do cesto com os brinquedos que restam lá dentro — a maioria das vezes fica-se, acha piada, e dá-me cinco minutos de descanso (está confinado, e não se chateia com isso).
É caótico? Às vezes. Quase sempre, vá. Mas eu lembro-me de a minha mãe me dizer que eu, apesar de desarrumado (eufemismo que até me favorece, no fundo), era organizado. Sabia onde estavam as coisas que mais me interessavam, mesmo que parecesse estar tudo num caos. Se me arrumassem o quarto sem eu lá estar (acontecia de vez em quando, quando a minha mãe já não aguentava ver a confusão em que o meu quarto se tornava), entrava em pânico. Não sabia onde estavam as coisas, ficava chateado porque os legos estavam misturados com os playmobil  nos baldes que a minha mãe me arranjou para eu arrumar essas coisas. Havia lógica na forma como eu (des)arrumava — talvez a roçar o obsessivo-compulsivo; mas só a roçar. Era um caos ordenado, vá.
Não sei se o meu filho é, ou vai ser, assim (se depender da mãe, quando começar a entender o que se lhe diz vai arrumar tudo até à mais pequena agulha), mas sei que ainda não vejo ordem neste caos.
A ver no que dá...