O meu filho já tem bonecos favoritos. Os primeiros que ele não dispensava, se bem me lembro, foram os Ratinhos Construtores, depois os da Ladybug e o Booba.
Os Ratinhos Construtores são uns bonecos da Baby TV, muito simples, tão simples que o guião é sempre igual. Acontece sempre exactamente o mesmo, mudando o objecto que quase cai e depois se tem de adivinhar qual é, ou o animal que o mágico tem de completar. De resto, os movimento da queda e do salvamento são sempre exactamente os mesmos, a peça que falha no animal é a mesma e o sofrimento do pai é sempre o mesmo.
A Ladybug é uma personagem adolescente de uma série francesa mas afinal japonesa e para adolescentes. Faz lembrar a Navegante da Lua, diz-me a minha esposa, e não entendo porque raio gosta o meu filho daquilo.
O Booba é uma espécie de homúnculo peludo, de cauda tipo pincel e penca generosa, que explora vários ambientes da vida de um ser humano, umas vezes entendendo nada, outras vezes entendendo demais. É um tipo de humor físico, que desafia constantemente a física, que até me diverte —vá — um bocado.
Entretanto passou por uns Oddbods, um sexteto (se não me engano) de seres sem nariz, cujos corpos lembram cápsulas de remédio com pernas e braços, vestidas com roupas peludas com antenas ou protuberâncias tipo cornos, cada um com a sua cor e a sua personalidade próprios. Têm personalidades diferentes, inequivocamente associadas aos seus talentos exagerados. Mais humor físico, mais gargalhadas do pai. Por empatia, claro...
Agora, sei lá porquê, deu-lhe para querer ver, ad nauseum, os Super Wings. Para quem não sabe, estes resumem-se a um avião, chamado Jet, que percorre o mundo e as diferentes culturas para entregar encomendas magicamente concebidas e utilizáveis. É uma perfeição. Onde quer que chegue, apenas para fazer a entrega, este avião-correio entra sempre em casa dos recipientes da encomenda, sempre crianças — claro! —, depois de a entregar, para ver para que é que estes querem aquilo. Tudo muito profissional, até porque não me lembro de uma única vez ter sequer sido convidado ou ter pedido autorização para entrar. Há sempre algum dilema a resolver, e o robô-avião-carteiro (uma espécie de Transformer estilo manga infantil) prontifica-se logo, mais uma vez, sem que ninguém lho peça, para chamar um ou mais dos seus amigos robôs-veículos (quase sempre voadores) para ajudar. Corre sempre tudo muito bem, até porque a física ajuda, pausando o correr do tempo, para que os heróis mecânicos conferenciem e, eventualmente, se transformem em versões turbinadas de si mesmos, tipo Ana Malhoa, a rainha do som tropical-urbano.
Uma réstia de esperança: o que mais excita o meu filho nos Super Wings é a música do genérico, que é rock. Mal vê que um episódio vai começar, levanta-se e finca os pés, afastados, virado para a televisão e de mãos quase em posição de air-guitar. Quando a música começa, é um abanar de fralda e braços, flectindo os joelhos ao ritmo da guitarrada. No fim já sabe que há um acorde final mais forte, quase apoteótico, e lá sai um vitorioso movimento correspondente.
Vá; tudo a sacudir as melenas:
"Super Wi-ings! Oh, Oh...! Super Wi-ings!!"
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