Hoje ouvi o primeiro porquê? do meu filho. Eu queria mudar-lhe a fralda. Tinha acordado há pouco, ainda de pijama, e estava com a fralda da noite, cheia de urina até o gargalo. "Vamos trocar a fralda...", sugeri com autoridade. "Nein!", respondeu, "cocó, na tem!". Sim, o pai acredita que não tens cocó, mas a fralda está cheia de chichi. "Anda mudar a fralda...", disse, mais firme. "Puquê?", choramingou. Quase me deixou sem resposta, surpreendido por um tão claro porquê?, mas tive de responder de imediato. Usei a resposta que me deixava mais chateado na minha meninice, que eu dizia que não ia usar com o meu filho...: "Porque eu disse."
Desculpa, mãe. Desculpa, pai.
Ontem fui jogar à bola com o meu filho, hoje foi a minha mulher. A certa altura, ontem, o meu filho quis que o pegasse ao colo. Depois apontava para a bola e recusava que eu lha desse. Apontava e sacudia os pés. Dei um pontapé na bola e ele riu-se. Era o que ele queria... e eu cedi. Andei um minuto ou dois a mandar a bola à parede com o danado no colo, torcido de forma a ver a bola, e a dar-me pancadinhas nas costas com a mão com que se agarrava a mim. Queixei-me à minha mulher, que se riu...
Hoje foi ela jogar à bola com ele (eu fui gastar uma hora na bicicleta, sem ninguém a precisar da minha atenção, coisa que não acontecia há cerca de uma semana). Cheguei a casa, já estavam os dois à minha espera, e a minha adorável companheira abeira-se e diz-me que ele também lhe pediu colo, e apontou para a bola. Ela não cedeu e mandou-o ter juízo. Fez bem. Fez melhor que eu...
Depois destas coisas fico a pensar: serei um bom pai? Serei o pai que queria ser? Serei...?
Que se lixe! Sou o pai que sou, faço o meu melhor, e o meu filho não parece querer fazer-me desaparecer — para já. (Sim, eu não tenho pressa de chegar à adolescência.)
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