quarta-feira, 15 de abril de 2020

Dia 30 — O mês

Esta manhã, mal a minha mulher pôs os pés porta fora (uns minutos depois, vá), mudei de canal, para a RTP2. Estava a começar o programa dos Twirlywoos, que eu até acho não ser uma má ferramenta didática. Aproveito para corrigir, e completar, já agora, a minha descrição de ontem destes bichos. Eu disse que não tinham dedos e não é verdade: têm polegares oponíveis. Também são desprovidos de bico e não tenho a certeza de que tenham penas — têm feltro. Andam sobre pernas nuas que acabam em barbatanas, como um pato. Há uma parte que, como é costume nestas coisas para crianças da idade do meu filho, é sempre repetida, com um pequeno ponto de variação. Aqui ouve-se bater à porta, e os surpreendidos Twirlywoos acorrem à dita cuja, que soa de novo com duas pancadas, e eles caem de costas no chão. O meu filho ri-se como um perdido. Levanta-se, ouve-se bater à porta de novo, e elas caem para trás.... mais uma vez. O meu filho quase caiu da poltrona, contorcido de tanto rir. Eu... Ok.
Acabados os... coisos, desliguei a televisão e aguentei as reclamações enquanto me vestia. Entretanto o petiz resolveu-se a concordar com o passeio e foi buscar as botas e um colete de penas para vestir. Estava um pouco para o frio, lá fora, e o colete até lhe manteria o tronco quente, mas era preciso pensar nos braços. Guerra para mudar de roupa.
A certa altura despi eu o casaco e sentei-me, dizendo que assim não saíamos. O bluff resultou — ufa! — e lá me pediu para tirar o colete (eu tinha-o vestido na esperança de que ele aceitasse pôr um casaco de malha por cima — não resultou), foi buscar o polar e entregou-mo para o ajudar a vestir. A partir daqui o passeio foi canja. Correu tudo bem, inclusivamente o regresso, dentro o tempo estipulado (mais ou menos).
Ao almoço comeu tudo, menos um bocadinho de cuscuz que resolveu deitar dentro do copo de água. Está numa de experiências. Uma delas foi, depois de comer uma banana inteira e dar por terminada a refeição, atirar o copo cheio de água e cuscuz para o centro da mesa. Não foi só uma toalha molhada, mas uma toalha molhada com cuscuz amolecido e peganhento. Fiquei tão divertido que precisei de contar até dez para não me desatar a rir à gargalhada e dar-lhe a ideia errada. Talvez divertido não seja a emoção correcta, mas vou manter esta versão.
Foi divertido. Muito...

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