Ontem tive ainda menos tempo para isto, tão pouco que foi nenhum. Tinha um prazo de entrega para um texto hoje, e muito pouco tempo entre ser pai, marido e tratar das tarefas caseiras. Por isso escrevo hoje pelos dois dias.
Na tarde do dia 7 do fecho da creche, o meu filho surpreendeu-me, ao ver uns desenhos animados que me divertem (talvez por isso não devam servir para ele, agora que penso nisso), com um grito. Levantou-se da sua poltrona pessoal e correu para a minha perna, onde se agarrou com força a esconder a cara. Na televisão, reparei, um urso pouco verosímil urrava e corria atrás de um dos personagens patetas da série. Terá percebido o medo na face exagerada do boneco? Terá tido medo, ele próprio, do urso?
Voltou a sentar-se na poltrona, e o Netflix seguiu na mesma série. Daí a pouco, novo episódio, novo urso, desta vez branco mas exactamente a mesma fuça. Gritou de novo, correu para mim com ar de medo e, agarrado ao pai, continuou a ver a bonecada, começando a rir à gargalhada e tudo. Pensei que aquilo não seria normal, e convenci-o (com dificuldade) que era melhor ver outra coisa.
O pormenor cómico do dia:
À hora do banho, sendo a minha vez de o despir antes e vestir depois, espreitei a fralda antes de a tirar, não fosse preciso estar preparado para uma desagradável surpresa escatológica. Nada. Nádegas limpinhas, limpinhas. Tirei-lhe, então, a dita cuja sem os cuidados que se exigiriam. Já em pelote, o petiz fez sinal de que queria ir para o chão e foi agarrar na roupa que usou durante o dia, para a meter no cesto da roupa a lavar. Tudo parte da rotina, direitinho, mas, quando devia ir ter com a mãe à casa-de-banho, virou para o sofá-cama que tem quarto. Queria trepá-lo, e fê-lo. Foi aí, quando ele alçou uma das pernas para cima do sofá, que reparei que entre as nádegas do meu filhote havia qualquer coisa que não devia lá estar. Agarrei nele e espreitei, ele sempre a espernear e a rir, que havia ali um cocozinho, pequenino, duro e bem preso, escondido entre as bochechas. Sob reclamação do filho, agarrei nele e num toalhete, e limpei-lhe o traseiro.
Lá o deixei ir para o banho — teria sido divertido (mas potencialmente letal para mim), se o tivesse deixado ir assim, cocó preso entre as nádegas, para o banho da responsabilidade da mãe. Aquilo ia flutuar, eu ia rir-me, e levar com o olhar... (arrepios!)
Hoje, 8º dia, acordei às 5 e 55 da manhã. Um choro pouco estridente, relativamente baixo, mas insistente como um despertador arraçado de ambulância fazia um eco ainda mais enervante entre o que se ouvia do quarto, e a sua repetição quase imediata no monitor. Fui espreitar: estava acordado, de pé, agarrado à grade que ainda o mantém na cama. Estrebuchado (tinha-me deitado à uma e meia da manhã — quatro horas e meia antes), tirei-o da cama e percorri os passos da rotina matinal com manifesta má-disposição. Foi o começo de uma manhã de maus humores. Não houve bulha nem nada disso, mas houve birras e braços-de-ferro a rodos. E também ele fez birras.
A meio da manhã, deixando-o a ver o raio dos bonecos que queria, fui para a cozinha tratar da louça e preparar as coisas para fazer o almoço, enquanto via um documentário no "tablete". Cerca de 10 minutos depois, ele vem ter comigo e quer o "tablete". Depois de uns 5 minutos de birra, resolveu que ia ficar por ali na mesma. Empoleirou-se no raio do banquinho de onde tinha caído no outro dia, a ver a vida enclausurada do lado de fora — muito vento e ninguém na rua. Mais uns minutos e... catapum! Caiu-me dali abaixo outra vez. Fez "áua" (alemão para dói-dói — sim, é uma porcaria ser tão parecido com "água") —, pelos vistos, e levou um miminho. Fui pô-lo à sala, em frente à televisão (sou um pai extremoso, não sou?), e voltei para a louça. Mais 5 minutos e tenho o reguila de novo na cozinha. Mais uma vez, empoleirou-se a ver passar navios. Mais uma vez escangalhou-se dali abaixo. Mais miminho, menos banquinho. Pus o raio da coisa atrás da porta de entrada (que fixe!), longe de qualquer janela. Ele voltou à cozinha e, sempre a querer ver ninguém passar (vá... uma pessoa por cada 3 a 5 minutos), empoleirou-se no rodapé estranho que o senhorio achou que ficava bem ali, solto. Mais baixo, muito mais baixo, o petiz lá se esticou a ver se via. Ele não viu, mas vi eu: o raio do rodapé virou e ele caiu de lá abaixo, mas equilibrado e de pé. Não houve mimo — não houve "áua" —, mas houve viagem de regresso à babá "bonecos animados". Repetidas vezes, até acabar a louça a lavar.
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