Hoje amanhecemos, para não variar muito, às 6 e meia da matina. O amoroso petiz acordou, e pronto: nada a fazer.
Um dia de céu aberto, sem uma nuvem à vista, o que permitiu o Sol aquecer o frio da manhã até uns abafados 9ºC entre as 13 e as 14 horas. Perfeito para o meu passeio diário com o filho, por três quarteirões carregados de flores e carros estacionados que lhe despertavam a atenção. Para me ajudar a manter a forma e lembrar-me do defeito lombar, o adorado filho exigiu colo por mais de metade do percurso. Na fase final do passeio, para meu descanso físico mas não nervoso, pediu para ir para o chão, agarrou-se a um pau e distribuiu porrada a cada tronco de árvore e frondoso arbusto; as bicicletas tiveram a minha avisada protecção, não fosse ter de recorrer ao seguro.
Ao fim do dia, entre o jantar e o banho, pus-me na brincadeira com ele. Eu construía qualquer coisa em Legos, ele destruía e espalhava as peças pelo chão, o mais longe possível. É um dos seus desportos favoritos, agora, e um que eu adoro... a sério... adoro. A certa altura resolveu ajudar-me: colocou uma peça onde lhe deu na gana, e ficou a rir-se. Depois destruiu tudo na mesma. Foi por esta altura que parou, agarrou-se à pilha de caixas de brinquedos, muito quieto, e — desconfiei, com uma dose de confiança bastante grande, devido ao som — descarregou uma prenda na fralda. Confirmei o sucedido, segundos depois, pelo cheiro.
Ora, como o banho estava a menos de 5 minutos, continuei a brincar com ele. O facto de ser a minha vez de dar o banho e ser a minha mulher a despi-lo, ajudou à decisão. Todas as decisões têm consequências.
O petiz, amoroso, preferiu continuar a folia usando o pai como carrossel, ou ginásio, ou lá o que fosse. Ele trepou e deu cambalhotas por cima de mim. Empoleirou-es no meu peito, de pé e agarrado às minhas mãos, e começou uma caminhada em direcção à minha virilha. A cada passo senti o perigo aproximar-se, o medo a aumentar, a possibilidade de um irmão para o meu filho esvair-se. A um passo de me pisar o que não deve, agarrei nele e fiz-lhe cócegas, ele sentado na minha barriga. Ele lutou bravamente e eu libertei-o. Ele usou a liberdade para se arrastar por mim acima, até esfregar a fralda, cujo cheiro não enganava, na minha cara. Não achei piada.
A sério; não teve piada.
Amanhã não há passeio...!
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