Nos últimos meses o meu petiz não falha uma noite (vá; é capaz de ter falhado uma) a saltar, a meio da noite, para a cama dos pais. Como se isso não bastasse, o anjinho raramente fica quieto na cama para além das seis da matina. Portanto, acorda-nos quando chega à cama e acorda-nos (ao pontapé...), uma segunda vez, cedo demais. E isto é o mínimo. Já tentei levá-lo de volta para a sua cama mal chega — estridente escândalo. Já tentei levá-lo de volta depois de o ouvir ressonar — escândalo estridente. E volta para a cama dos pais, muitas vezes antes mesmo de eu lá chegar, tal é a pressa. A meio da noite, estremunhado, a paciência para insistir é escassa.
Andamos, os progenitores, cansados por falta de sono completo. Julguei que, mais de três anos depois do nascimento, os dias de zombie-de-sono fossem passado distante. O positivo é o carinho extra que ele nos dedica quando chega à cama.
Há pouco mais de duas semanas passei um fim-de-semana fora. Cheguei no Domingo, já ele estava na cama, mas ainda na dele. A meio da noite, para não variar, veio para a cama dos pais, onde ele não esperava encontrar o Pai. Adivinhando o caminho no escuro, chocou contra a minha coxa. "Pai?..." perguntou ao atirar-se para cima da cama, constituída pelo meu tronco. Apalpou-me a barba, para ter certeza, e logo me agarrou no pescoço; "Pai!". "Sim, é o Pai." Dessa vez senti a visita pela positiva; sou um coração-mole.
Outro problema acessório é o acordar agitado dele, ainda por cima quase sempre em antecipação ao dos pais. Pontapeia muito, testando a paciência dos pais, e a resistência à dor do Pai — por azar (espero eu!), acerta-me dois terços dos pontapés nas minhas partes baixas...
Tenho-o questionado pela razão de não querer acordar na sua cama. Enrosca-se todo, bem consolado, na sua cama, ao deitar. Adormece, regra geral, rápido e bem, sem queixas do leito. No entanto, responde-me sempre que não gosta da sua cama.
Hoje foi a vez da Mãe lhe perguntar porque raio — sem o "raio" — não fica ele na sua cama. Repetiu que não gosta da cama. "Porquê?", perguntou-lhe a Mãe. "Mui'a pequena", disse ele. Olha o gasguito... Tem uma cama maior que muitas crianças da idade dele, supostamente para o aconchegar até aos seis anos, e diz que é pequena. Não é pequena para adormecer, todo consolado.
De qualquer das formas, não pode acontecer. Não me parece ser saudável nem para o desenvolvimento dele, nem para a saúde dos pais — de certeza absoluta. Mas não posso trancar-lhe a porta do quarto, nem tenho vontade de acordar a vizinhança com a birra que ele faz se o devolvo à cama. Não; amarrá-lo à cama também não é opção.
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