O meu filho, desde que a sua individualidade se evidenciou, pareceu-me sempre ser bastante independente. Brinca com o pai quando quer, manda o pai dar uma volta para brincar sozinho quando lhe apetece, quer sempre ver se consegue fazer tudo por si e, quando vê que está perto de o conseguir, insiste para que o deixemos experimentar em paz. Hoje, por exemplo, já come a sopa (quando come...!) de prato normal, com colher de adulto, e não quer saber de voltar atrás.
Na semana que passou pusemo-lo a tomar duche, em vez do banho na banheira de bebé. Não toma o duche sozinho, mas bem tenta. Quer segurar a cabeça do duche por si, mas depois tem dificuldade em usá-la. Das vezes em que tomei o duche com ele, bem me apontou o duche à cara, a rir-se à gargalhada com a minha reacção (também sei brincar).
Entretanto, aproveitando a abertura das lojas, a família foi comprar umas coisinhas. Um dos objectos comprados foi um banquinho, que também serve de degrau, em plástico suave e assente em silicone anti-derrapante. Aquilo foi feito para crianças pequenas, como o meu filho ainda é. Este banco foi uma descoberta para o petiz.
Onde eu o pousava na coxa e lhe lavava as mãos e a cara, de repente ele já só quer usar o degrau para se empoleirar, esticar-se todo para abrir torneira e lavar mãos e cara por si. Só não usa a toalha para secar tudo; tem de ser um dos progenitores a fazê-lo. Onde lhe dava a escova de dentes e ele passeava-se com ela a chuchar a pasta de dentes, agora empoleira-se com o banquinho e escova (mais ou menos) os dentes, sem vaguear pela pequena casa-de-banho. Adivinho uma pequena economia em papel higiénico, um dos brinquedos favoritos dele e fonte de ansiedade para quem de nós o acompanha na escovagem das presas. Na hora do duche senta-se no banco enquanto lhe passamos a água pelo pêlo.
Já o apanhei a trazer o banquinho para a sala, pousá-lo junto à porta da varanda, encostada pela mãe que foi lá fora esconder do filho o facto de estar a jogar um joguinho qualquer no tablete, e chegar a mão à tranca da porta. Ia trancar a mãe lá fora. Fui buscar o filho e levei o banco para a casa-de-banho. Um heróico acto que salvou a minha mui apreciada esposa de ficar presa na varanda (espero que ela leia isto).
Um pequeno degrau mim, um grande passo para o meu filho e as suas tropelias.
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