segunda-feira, 4 de março de 2019

Preocupações explosivas

Uma das maiores preocupações que se instala, de forma permanente, como um inquilino de contrato vitalício, na cabeça de um pai, é a doença do filho. A criança nasce saudável (até prova em contrário), mas o alarme da febre está sempre lá, qual alterações climáticas, para ensombrar qualquer futuro. O vómito e a diarreia, tantas vezes de mão dada como aqueles namoradinhos adolescentes que vazam gosma partilhada num banco da escola, também espreitam, mais violentos para com a ténue e hesitante calma de um pai encarregue da cria.
Já tive alguns sustos, como é de crer que aconteça com todos os pais. Há uns três meses atrás a minha mulher foi chamada (não percebo porque não fui eu, já que já explicamos vezes sem conta que sou eu o primeiro a ser chamado), a ir buscar o petiz à creche, que estava doente. Era um vírus gástrico, aparentemente, e estavam as crianças todas a vomitar e a encher fraldas em cadeia.
Ficamos os dois em casa com ele, nesse dia. No dia seguinte ficamos os dois em casa com ele, outra vez, desta vez porque também eu estava a perder líquidos por ambos os lados, e a minha mulher não me quis deixar sozinho a ter de tratar das fraldas do menino e a tentar não sujar as minhas ao mesmo tempo. Ao terceiro dia, éramos três.
Estava eu a melhorar e o meu filho, com um pico de febre, recostava-se contra o meu peito, apoiado no meu braço esquerdo, só de fralda. Estava mimalho e o pai dava mimo. Confesso que tinha algum receio que me vomitasse em ciam, mas faz parte. Não há fraldas para a boca. Mas há a Lei de Murphy. Sem aviso, senti uma explosão na mão que aninhava o traseiro fraldado do meu filho. A explosão transvasou, e muito, a fralda. Mão, roupa, um bocadinho do sofá, tudo sujo de... Talvez não deva dizer. Digo? Não digo.
Na altura não foi nada divertido. Hoje rio-me; e sinto-me preparado para a próxima.

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