Foi há um ano atrás, algures entre a uma e as duas da madrugada, que a minha mulher grávida se vira para mim e me anuncia, com uma calma assombrosa, que está na hora. "É agora".
Saltei da cama, corri a vestir-me e levei bolsa e mochila para o carro, a minha mulher a acompanhar-me como quem não tivesse dores nenhumas.
Chegados ao hospital anunciei que a entregaria na porta das urgências, para depois ir estacionar o carro e correr a ter com ela. Recusou, que ainda não estava à rasca. Estava perfeitamente em condições de me acompanhar, a pé, do estacionamento àquela entrada do hospital.
Paramos várias vezes pelo caminho porque, afinal, as contrações já aí estavam. O percurso pedestre demorou mais do que devia, mas aqui o pai serviu bem de bengala e a grávida chegou a bom porto.
Eram 4 e 35 da manhã quando o meu filho saiu cá para fora. "Parecia um bezerro a cair cá para fora", diz, ainda hoje, a mãe. E foi. Estava com pressa de nascer.
Hoje faz um ano e nem dá por isso.
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