Os pés do meu filho são um frequente motivo de amena discussão. Há, aqui em casa, dois pontos de vista diferentes (pormenores) quanto ao calçado, ou falta dele.
Eu sou da opinião, muito utilitarista e natural, de que o petiz não precisa de andar calçado, já que nem anda. Mesmo depois de começar a andar, mantenho que os pés devem desenvolver-se da forma mais natural possível; logo, descalços sempre que possível. Por isto tudo defendo que não se comprem, sequer, sapatos para um bebé que nem os usa da forma que o sapato deve ser usado. Não é a gatinhar, de certeza, nem a andar (quando andar) de pé como um chimpanzé
A mãe, por sua vez, apesar de concordar que não lhe devemos moldar os pés à laia do calçado, não consegue passar por uns sapatos de bebé sem soltar uma daquelas vocalizações — estranhas para mim — que denunciam que, em vez de trabalhar, estamos a ver um vídeo de um bicho que adoptou um animal bebé de espécie diferente. Diz que, por mais desnecessários que realmente sejam, ficam muito giros. Também mais argumenta, a mãe, que convém que ele tenha algum tipo de sola que não escorregue para esta fase em que se agarra às cadeiras e as leva a dar um passeio, qual andarilho improvisado.
Foi assim que concordamos em usar meias com borracha na sola — pintinhas, ou pastilhas, de borracha. Uso-as eu, e usa-as o meu filho. Não as mesmas, claro. O problema, aqui, é a vontade da vítima das decisões parentais. A vontade dele é andar descalço, de pé pelado — ele quer é andar todo nu, para dizer a verdade. Calço-lhe as meias, solto-o no chão da sala, cinco minutos depois tenho de andar à procura de pelo menos uma meia. No mínimo, puxo-lhe as meias para cima de 10 em 10 minutos. Por vezes até encontro a meia em falta na mão dele, toda babada — ainda não produz chulé, o sortudo.
Claro que ele tem sapatos. Se tem avós, tias, primas, etc, tem sapatos; apesar de eu ter conseguido que tenha poucos. Muito poucos.
Recentemente, os poderes de persuasão da minha mulher (será mais honesto dizer que foi ela quem resistiu ao meu olhar reprovador — ignorou-o) resultaram na compra de um par de sapatos. Como o tamanho está certo, no ponto, os sapatos ficaram bem presos, apesar do saco de enguias em que se transformou o meu filho no momento em que se apercebeu que ia ser calçado. Não saíram de imediato, como todos os outros. Não saíram de todo, apesar dos esforços permanentes do teimoso petiz, frustrado e zangado com a partida pregada.
Até que saíram, as lindas sapatilhas brancas, com ajuda não sei de quem — nego tudo!
Há tempo para calçado. Há tempo para crescer. Há tempo, até, para que ele um dia decida que não quer mesmo usar sapatos. Entretanto, no que depende de mim, calçar-se-á quando for necessário ter o pé protegido das demoníacas pedrinhas da rua, das desarrumadas peças de legos ou das pisadelas dos coleguinhas do infantário. Até lá, por mim, fica-se pelas meias — mesmo que as tenha de andar sempre a devolver aos pés dele.
Eu sou da opinião, muito utilitarista e natural, de que o petiz não precisa de andar calçado, já que nem anda. Mesmo depois de começar a andar, mantenho que os pés devem desenvolver-se da forma mais natural possível; logo, descalços sempre que possível. Por isto tudo defendo que não se comprem, sequer, sapatos para um bebé que nem os usa da forma que o sapato deve ser usado. Não é a gatinhar, de certeza, nem a andar (quando andar) de pé como um chimpanzé
A mãe, por sua vez, apesar de concordar que não lhe devemos moldar os pés à laia do calçado, não consegue passar por uns sapatos de bebé sem soltar uma daquelas vocalizações — estranhas para mim — que denunciam que, em vez de trabalhar, estamos a ver um vídeo de um bicho que adoptou um animal bebé de espécie diferente. Diz que, por mais desnecessários que realmente sejam, ficam muito giros. Também mais argumenta, a mãe, que convém que ele tenha algum tipo de sola que não escorregue para esta fase em que se agarra às cadeiras e as leva a dar um passeio, qual andarilho improvisado.
Foi assim que concordamos em usar meias com borracha na sola — pintinhas, ou pastilhas, de borracha. Uso-as eu, e usa-as o meu filho. Não as mesmas, claro. O problema, aqui, é a vontade da vítima das decisões parentais. A vontade dele é andar descalço, de pé pelado — ele quer é andar todo nu, para dizer a verdade. Calço-lhe as meias, solto-o no chão da sala, cinco minutos depois tenho de andar à procura de pelo menos uma meia. No mínimo, puxo-lhe as meias para cima de 10 em 10 minutos. Por vezes até encontro a meia em falta na mão dele, toda babada — ainda não produz chulé, o sortudo.
Claro que ele tem sapatos. Se tem avós, tias, primas, etc, tem sapatos; apesar de eu ter conseguido que tenha poucos. Muito poucos.
Recentemente, os poderes de persuasão da minha mulher (será mais honesto dizer que foi ela quem resistiu ao meu olhar reprovador — ignorou-o) resultaram na compra de um par de sapatos. Como o tamanho está certo, no ponto, os sapatos ficaram bem presos, apesar do saco de enguias em que se transformou o meu filho no momento em que se apercebeu que ia ser calçado. Não saíram de imediato, como todos os outros. Não saíram de todo, apesar dos esforços permanentes do teimoso petiz, frustrado e zangado com a partida pregada.
Até que saíram, as lindas sapatilhas brancas, com ajuda não sei de quem — nego tudo!
Há tempo para calçado. Há tempo para crescer. Há tempo, até, para que ele um dia decida que não quer mesmo usar sapatos. Entretanto, no que depende de mim, calçar-se-á quando for necessário ter o pé protegido das demoníacas pedrinhas da rua, das desarrumadas peças de legos ou das pisadelas dos coleguinhas do infantário. Até lá, por mim, fica-se pelas meias — mesmo que as tenha de andar sempre a devolver aos pés dele.
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