domingo, 31 de março de 2019

O Relatório

A educadora responsável pelo grupo do meu filho lá na creche pediu que fôssemos falar com ela sobre o desenvolvimento do menino, o que fez disparar os alarmes à minha mais-que-tudo. Que há de errado com o nosso filho? Em que é que o desenvolvimento dele corre mal? Da minha parte, não vendo nada de errado com o meu filho, ainda cogitei a hipótese de que alguma das educadoras (ou o educador) o tivessem apanhado a recitar passagens d'A Odisseia de Homero, ou algo assim. Nada disso. Era apenas uma espécie de relatório informativo conversado.
Abalámos logo a seguir ao almoço. Uma épica caminhada de cinco minutos deixou-nos à porta do infantário-barra-creche, que eu abri com o meu cartão electrónico. Aquela porta, a da frente, só abre assim; ou por dentro, depois de devidamente identificado o candidato à entrada. Fomos de imediato recebidos pela nossa interlocutora. Queria evitar que subíssemos e o nosso petiz nos visse antes de ser hora de o ir buscar, daí ter antecipado a nossa chegada — pontualíssima!
Esta mulher, cuja melhor descrição física é a semelhança que lhe vejo à personagem Nanny, do Count Duckula (para a geração imediatamente a seguir, é a Ama, do Conde Patrácula), tanto na postura, no tamanho (ligeiramente mais estreita, vá) e no formato da cara. Levou-nos até à biblioteca (leram bem) e sentou-nos à pequena mesa.
Ficamos a saber uma data de coisas que já sabíamos — o nosso rebento é coerente entre casa e infantário. Sabíamos que já se agacha e levanta de novo com destreza. Que dá passos seguros, seguro a qualquer coisa, também já tínhamos reparado. Estamos fartos de saber que já dá entoação às suas palavras, ou lá o que aquilo é, e que isso é um bom avanço no sentido de falar — em que língua,  é o que ainda se está para ver.
O meu filho ouve uma língua em casa, outra na escolinha. Já parece dizer "dá" quando quer alguma coisa que temos na mão, mas o "não" ainda anda perdido, suspeito que no meio de uma data de sons que volta e meia se assemelham a "nein".
Vai ser difícil, o começo. E percebê-lo quando falar alemão, mais divertido ainda.

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