Fui buscar o meu filho ao infantário, como faço todos os dias. Pronto. Não bem como faço todos os dias, porque costumo fazê-lo a pé, mas desta vez levei o carro (está muito calor e o carro tem ar condicionado — estava a pensar no conforto do petiz!). Mas dizia que o fui buscar ao infantário.
Ao chegar à porta da "escola-kita", como diz o miúdo, a educadora avisa-me que ele não vem já, que tem que arrumar a sala dos brinquedos. Assenti e esperei. Esperei mais uns minutos e depois continuei a esperar. Comecei a ficar preocupado, já que só tenho meia-hora de estacionamento gratuito. Mas esperei até ele acabar, que aqui não se brinca com a disciplina. Tinham desarrumado tudo, pelos vistos, ele e os dois amigalhaços.
Quando me apareceu, estava imundo. Até me ri: cara suja de terra, t-shirt já não estava lá muito branca e os calções amarelos imundos. Deve ter-se divertido. "Porreiro", pensei, contente por ele se divertir. "Porreiro", pensei, mais lúgubre, ao pensar na lavagem que aí vinha.
A meio caminho para o carro, ele viu uma mãe a correr atrás do seu fujão. "Estão a jogar à apanhada", expliquei-lhe quando me perguntou. Tive que continuar a explicar que é um jogo em que alguém corre atrás de outro, ou outros. Dei o exemplo de que podia desatar a correr e ele tinha de me apanhar. A conversa entrou na discussão de que ele é muito rápido, por isso me apanhava logo. Eu disse que podia ser, se eu não corresse, porque eu sou mais rápido. Ele insistiu, eu cansei-me de ter o pirralho a dizer-me que era muito mais rápido do que eu. Corri os últimos 10 metros até o carro. Como é óbvio, ficou longe de me apanhar. Ele tem pernas de 4 anos...
Ora... como o meu filho continuava a acreditar que era mais rápido que o mundo inteiro — identifica-se com uma chita, por exemplo — chegou ao lado do carro e começou a chorar. Que era mais rápido, mas eu não podia era correr. Pois... ele identifica-se como mais rápido que eu, e eu tenho que suportar essa sua identificação. Nada de novo. Não cedi. "Não podes dizer que és mais rápido se fores o único que pode correr. Isso é batota."
Ajudei-o a sentar-se na cadeira, ainda chorava baba e ranho (literalmente), e desandei dali para fora. Saí mesmo antes de passar a meia-hora gratuita, já o meu velocíssimo filho desistira de chorar. Viu o urso do Jardim Zoológico pelo caminho e ficou contente.
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